sexta-feira, 1 de março de 2013

Mobilidade Urbana + Humana

Por Aloísio Lopes

 A Assembléia Legislativa de Minas Gerais, reuniu dezenas de entidades para discutir a organização de discussões sobre a mobilidade urbana, à luz da nova Política Nacional de Mobilidade Urbana, que, dentre outras diretrizes, estabelece que todo município brasileiro deve elaborar seu plano até 2015. A proposta é de realização de um seminário para discutir os desafios metropolitanos (Grande BH e Região do Vale do Aço) e de encontros regionais de capacitação para gestores públicos.

As condições de locomoção de pessoas e cargas pioraram muito nas últimas décadas, com efeito maior nos grandes centros urbanos, mas não necessariamente restrito a eles. Fruto não só da falta de planejamento e de legislações específicas, mas também do modelo de desenvolvimento adotado. Desde a década de 1950 o governo brasileiro tem incentivado o desenvolvimento da indústria automobilística, favorecendo o transporte rodoviário em detrimento de outros modais de transporte, como o ferroviário, hidroviário e de cabotagem.

Para dimensionar o problema atual, registre-se o desafio para o escoamento da soja produzida no Mato Grosso, para o qual, segundo especialistas, são necessários mais 20 mil caminhões rodando do centro-oeste até a costa no sudeste. Nas cidades, o uso do transporte individual vem crescendo assustadoramente. A posse do automóvel propagada e incentivado pela indústria e pelo governo é um paradigma de consumo que deve ser questionado a fundo. Programas de redução de impostos, adotados pelo governo federal nos últimos anos, fortaleceram essa tendência, na contramão do chamado desenvolvimento sustentável. Trânsito engarrafado, acidentes, poluição e transporte de qualidade baixa, veja situação atual do Distrito Federal, fazem dos cidadãos, as grandes vítimas da imobilidade urbana.

Os problemas atingem também pequenos municípios. Um caso relatado na reunião a que me referi no início, dá conta de que em Piedade de Caratinga, Minas Gerais, com apenas seis mil habitantes, um dos grandes problemas é o congestionamento da única e principal avenida da cidade. A Prefeitura reivindica recursos para desapropriar casas e alargar a avenida. Para os grandes e pequenos problemas de mobilidade, a participação direta da comunidade de usuários é essencial para a elaboração e monitoramento dos planos municipais e regionais. Que nossos gestores não se esqueçam desse "detalhe".

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