sábado, 20 de abril de 2013

Camponeses do mundo, uní-vos!

Por Esther Vivas *

Ano após ano, a população camponesa no mundo foi diminuindo. O êxodo rural tornou-se uma realidade palpável no decorrer do século XX, o que levou a uma mudança radical da paisagem e da agricultura camponesa e tradicional. Em 2007, pela primeira vez na história da humanidade, a maioria da população mundial já vivia em cidades. O Estado espanhol não foi uma exceção. E a agricultura deixou de ser uma das principais atividades econômicas para ser uma prática quase residual. Se, na década de 70, 25% da população ativa ainda trabalhava na agricultura, hoje este número foi reduzido para 4% e significou uma perda de mais de dois milhões e meio de empregos. Os estabelecimentos agrários estão desaparecendo rapidamente. Entre 1999 e 2009, diminuíram em 23%, de acordo com o Censo Agropecuário 2009 do INE. Em breve teremos que pendurar em nossos campos o cartaz de "fechado por morte". A renda agrícola também continua em queda livre.

E em 2012 caiu para níveis de 20 anos atrás, de acordo com o sindicato agrário COAG, com o consequente empobrecimento do campesinato. Pobreza e mundo rural andam de mãos dadas. Na Europa, um terço dos pobres está concentrado nas áreas rurais. E a pobreza afeta, em particular, às mulheres. O envelhecimento da população, a falta de oportunidades para os jovens, a emigração, os baixos rendimentos na agricultura e a má infraestrutura são sintomas claros da pobreza no campo, como indica o relatório Pobreza e Exclusão Social em Áreas Rurais da União Europeia em 2008.

Os camponeses desaparecem, mas nossas necessidades alimentares ainda permanecem. Então, quem vai nos dar de comer? Quem produz e distribui a comida? Algumas poucas empresas do agronegócio e da distribuição são as que controlam atualmente toda a cadeia alimentar, desde a origem até o fim. As multinacionais que procuram ganhar dinheiro, e muito, com os alimentos. Dupont, Syngenta, Monsanto, Kraft, Nestlé, Procter & Gamble, Carrefour, Auchan, El Corte Ingles, Mercadona são apenas alguns exemplos. E assim vai. Nos próximos dias se celebra a Semana de Luta Camponesa para exigir outras políticas agrícolas e alimentares. Um tema-chave: a luta contra os transgênicos.

O Estado espanhol é a porta de entrada dos OGM (organismos geneticamente modificados) na Europa, o seu paraíso. Variedades proibidas em outros países, como a França, Grécia, Áustria, Alemanha ..., são cultivadas aqui. E outra frente de batalha: a soberania alimentar, que consiste em devolver a capacidade de decidir, sobre aquilo que se produz e se come, a camponeses e consumidores. Ser soberanos, poder decidir. Palavras proscritas nos tempos atuais. A Via Campesina, o movimento internacional mais importante de agricultores do Norte e do Sul, os mais atingidos pelo avanço da globalização neoliberal, os sem-terra, pequenos agricultores, mulheres camponesas ... o reivindicam desde meados dos anos 90. Seu lema é "Camponeses do mundo: uní-vos". Precisamos deles.

** Traduzido ao português por Tárzia Medeiros
http://esthervivas.com/portugues/

terça-feira, 2 de abril de 2013


UNESCO-HidroEX abre seleção para doutorado na Holanda
O UNESCO-HidroEX, por meio de uma parceria com o  Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), lançou na última semana uma chamada pública destinada a seleção de candidatos em nível de pós-graduação.
Os contemplados receberão bolsas de estudo pelo Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) para atuar no Instituto de Educação para as Águas (Unesco-IHE), sediado na cidade de Delft, na Holanda. As propostas devem ser enviadas pela Plataforma Carlos Chagas, no site do CNPq, até o dia 03 de maio deste ano. A seleção ocorrerá a partir de junho e o apoio tem início em julho.
Os candidatos concorrerão a vagas nas modalidades doutorado sanduíche (SWE), doutorado pleno (GDE) e pós-doutorado (PDE).
Para consolidar e viabilizar o programa de estágios, o Unesco-Hidroex firmou parcerias com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
 Entre as linhas temáticas abrangidas pela chamada, estão:
- Gestão de Recursos Hídricos e Governança: aspectos institucionais e legais; governança; instrumentos de gestão; unidades de gestão; gerenciamento do ciclo da água em território urbano; e mudanças organizacionais no setor da água.
- Prevenção e Controle da Poluição Aquática: gestão de resíduos sólidos; prevenção da poluição e produção mais limpa; recuperação ambiental; ecotecnologias; sistemas sustentáveis; e reuso de água.
- Segurança Hídrica: desenvolvimento de pesquisas e metodologias de tratamento de sistemas de águas superficiais e subterrâneas; bacias hidrográficas, portos e hidrovias em seus aspectos principais: análise e compreensão da hidrologia; hidráulica; processos geotécnicos e morfológicos; planejamento e desenho de intervenções de engenharia em escala local, regional e transfronteira; gestão, operação e manutenção de infraestrutura hídrica relacionada; avaliação ambiental e mitigação de impactos devido ao uso de água e intervenções nos sistemas hídricos; desenvolvimento, aperfeiçoamento e aferição de modelos aplicáveis a alerta de eventos hidrológicos extremos de longo e curto prazo (cheias e secas); e estudos para a previsão de eventos extremos, seus efeitos e minimização.
- Integridade ambiental: impactos das mudanças globais sobre a água; desenvolvimentos de planos de gestão integrada dos sistemas hídricos; de diretrizes para a elaboração e gestão de zonas húmidas; e de modelos de alocação de água; prevenção da poluição e recuperação de recursos ambientais; estudos do papel da água para produção de alimentos e redução da pobreza.
- Águas Urbanas: desenvolvimento de planos para a gestão integrada da água urbana; reconhecimento de riscos e incertezas na gestão da água urbana; desenvolvimentos de processos de tratamento baseados em sistemas naturais; de sistemas descentralizados e de baixo custo para o fornecimento de água e saneamento; de tecnologias avançadas para tratamento de águas residuais; e de modelos e soluções para o risco de inundação urbana.
- Ecologia e Recursos Hídricos: processos ecológicos em sistemas aquáticos e ecohidrologia; mensuração e valoração dos serviços ecossistêmicos.
- Hidroinformática: modelagem de paradigmas, incertezas e riscos; sistemas de engenharia, otimização e integração; e tomada de decisão colaborativa e computação e aprendizagem baseados na internet.