quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Do campo para a sala de aula

Por Esther Vivas*

 “Menino, de onde vem o leite?”, lhe perguntam. “Da Tetra Pak”, responde. Quantas vezes você já ouviu esta piada? A distância entre o campo e o prato, entre a produção e o consumo, apenas aumentou nos últimos anos. E os mais novos, com frequência, nunca puseram os pés em uma horta, viram uma galinha ou se aproximaram de uma vaca. Alimentar-se não se trata de apenas ingerir alimentos, mas também saber de onde eles vêm, o que nos fornecem, como foram feitos. A educação também envolve ensinar a comer e comer bem. E isso é precisamente o que fazem as cantinas escolares ecológicas, que recentemente começaram a aparecer por aqui.

O interesse em comer direito, bem e com justiça chega, aos poucos, às mesas das escolas. Refeições que buscam mais que a ingestão calórica necessária, uma alimentação orgânica e de proximidade. Se trata de aproveitar espaços que permitam, como nenhum outro, a interação entre estudantes, educadores, cozinheiros e, em um segundo nível, com famílias, professores e agricultores, para recuperar não só o saber e o sabor dos alimentos, mas também, aprender e valorizar o trabalho que está por trás da produção, na agricultura, e por trás do fogão, na cozinha. As cantinas escolares ecológicas têm uma vertente educativa e nutricional, ao defender a economia social e solidária e o território. Alimentos orgânicos, sim, mas de proximidade.

Uma aposta imprescindível em um contexto de crise que, por um lado, dá uma saída econômica à pequena agricultura, que tenta viver dignamente no campo, incentivando alguns canais de comercialização alternativos e uma venda direta e, por outro, oferecendo uma alimentação saudável e ecológica para os menores, em um contexto em que aumenta a pobreza e a subnutrição. Na Catalunha, 40% das crianças fazem a principal refeição do dia, o almoço, nos centros educativos. Incorporar esses valores às cantinas escolares deveria ser uma prioridade, e os custos econômicos não podem ser o argumento para não fazê-lo. Integrar a cozinha aos refeitórios dos centros permite um maior controle sobre a alimentação dos pequenos, e se compramos alimentos de proximidade, sazonais e diretamente com o agricultor, podemos reduzir custos.

Do campo, passando pelas cozinhas das escolas e até o prato dos alunos, transparência, qualidade e justiça, esse é o desafio. E a administração pública deveria estar comprometida com esta finalidade. Investir em uma boa alimentação na sala de aula é investir no futuro. Cantinas escolares que levam os princípios da soberania alimentar para as escolas, e não só na teoria, mas, o que é mais importante, na prática. Soberania alimentar, que nos permite recuperar a capacidade de decidir sobre o que comemos, que aposta na agricultura camponesa, local e agroecológica e que devolve aos agricultores e consumidores, e neste caso às crianças, o controle e o conhecimento sobre sua alimentação.

 *Traduzido por Natasha Ísis, do Canal Ibase.
+info: http://esthervivas.com/portugues/

domingo, 27 de outubro de 2013

Programa Nacional para Municípios Sustentáveis


O desafio de integrar ações governamentais a partir dos municípios, em prol do desenvolvimento sustentável vai ganhar mais um programa nacional: o Brasil + 20. Nos dias 23 e 24 de outubro, um seminário em Brasília, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), alinhou os principais pontos do programa. Segundo a coordenadora do Programa Brasil + 20, Silmara Vieira, do MMA, hoje há uma setorialização de políticas públicas, sem diálogo entre elas.

A mobilização, que reuniu dezenas de entidades da sociedade civil, prefeitos e representantes dos ministérios das Cidades, Ciência e Tecnologia, Educação, Planejamento, além do Meio Ambiente, também deu início a um levantamento das iniciativas para a  sustentabilidade em andamento no país. A execução do programa se dará em quatro eixos de atuação: mobilização nacional sobre sustentabilidade, capacitação e assistência técnica, leitura da realidade local e informação. Dentre os objetivos,  destaca-se a articulação e a cooperação interfederativa para a gestão sustentável dos territórios, dada à “heterogeneidade dos territórios e  as dificuldades de coordenação”, como problematiza o secretário executivo do MMA, Francisco Gaetani.

Nas apresentações ocorridas no seminário  a gestão municipal sobressaiu-se como um tema que peocupa gestores e dificulta a vida da população. No Brasil,  dos mais de cinco mil municípios, apenas 31  possuem mais de 500 mil habitantes.  Degradação ambiental e problemas de mobilidade urbana têm de sobre em todos eles. O acesso aos serviços públicos é limitado, como em São Paulo, maior cidade do país, onde um terço da população anda a pé, segundo Silvio Caccia Bava, do Instituo Polis, por não ter dinheiro para pegar um ônibus ou metrô. Ele também lembra que serviços públicos essenciais como abastecimento de água só é acessados por quem pode pagar.

Também fez parte da programação, a apresentação de um estudo sobre pegada ecológica como indicador de conexão regional. Michael Becker, do WWF, demonstrou como determinada cidade ou região depende de outras para seu abastecimento alimentar.


A coordenação do Brasil + 20 espera concluir a primeira fase de elaboração do programa até março de 2014, quando terá início a formação das coordenações regionais do programa. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Congresso de Fitopatologia discutirá uso de agrotóxicos

Congresso de Fitopatologia reúne autoridades
científicas em Ouro Preto

A diversidade e a qualidade de centenas de estudos científicos e pesquisas na área de fitopatologia estarão à mostra no 46º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, que acontece de 20 a 25 de outubro, em Ouro Preto, Minas Gerais

A programação científica é formada por 17 mesas redondas e dez palestras de convidados nacionais e estrangeiros. O CEO da CAB Internacional, Trevor Nicholls, do Reino Unido, por exemplo, vai abordar a contribuição das pesquisas para a segurança alimentar mundial e pela vigilância global. Já Andy Leadbeater, da Frac e Syngenta, Suíça, vai abordar os desafios no manejo químico de doenças e plantas pelos  produtores rurais e pela indústria.

Dezenas de pesquisadores brasileiros dos principais centros de pesquisa do país, como Embrapa, Esalq, UFV, UFSCar e UFRS e Instituto Agronômico de Campinas tem presença confirmada nos debates. Sessões orais e pôster vão contemplar centenas de trabalhos inscritos no Congresso.  Estandes de empresas nacionais e estrangeiras  estarão abertos na Expofito, uma feira tecnológica do setor, que funcionará paralelamente ao Congresso.

Nas mesas redondas destacam-se discussões sobre  riscos a saúde humana e ao meio ambiente decorrentes do uso de pesticidas, globalização de patógenos, doenças emergentes no Brasil,  patologia florestal, rumos e escolhas das empresas de defensivos, transgenia  e controle biológico de doenças no Brasil.

Serviço

46º Congresso Brasileiro de Fitopatologia
Abertura: 20 de outubro de 2013 – 18h30
Programação científica: 21 a 25 de outubro – de 8h00 às 18h30
Local: Centro de Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto – Minas Gerais

Realização: Sociedade Brasileira de Fitopatologia
Organização: Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Programação completa: www.cbfito46.org.br

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Encontro de povos do semiárido mineiro divulga carta com participação de representantes de países latino-americanos

O 1º Encontro da Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro, o 6º Encontro Norte Mineiro da Agrobiodiversidade e o 1º Fórum Internacional de Agrobiodiversidade e Mudanças Climáticas, realizados entre 8 e 11 de outubro, em Montes Claros (MG), divulgaram carta política resumindo propostas e deliberações dos encontros.

Os eventos reuniram cerca de 600 participantes, entre povos indígenas, quilombolas, vazanteiros, ribeirinhos, veredeiros, catingueiros, geraizeiros, sertanejos, representantes de movimentos sociais, sindicatos, organizações da sociedade civil, articulações, redes, universidades e instituições públicas de pesquisa.

Os eventos, que também são preparatórios para o 3º Encontro Nacional de Agroecologia, a ser realizada no próximo ano, também tiveram a participação de representações de países como Guatemala, Honduras, México, Colômbia e Costa Rica.

Vivenciamos as experiências, a cultura e os modos de vida dos povos e comunidades tradicionais e a diversidade de expressões que constituem a agricultura familiar camponesa , afirmam os participantes na carta. Ao mesmo tempo, nos deparamos com os desafios e as ameaças enfrentadas pelo campesinato nessa região .
Clique aqui para a íntegra da Carta.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Pesquisadores de doenças das plantas se reúnem em Ouro Preto

Congresso de Fitopatologia: Pesquisadores de doenças das plantas se reúnem em Ouro Preto

Mais de um mil pessoas, dentre pesquisadores, professores e estudantes de ciências agrárias, estão inscritos no 46º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, que acontece de 20 a 25 de outubro, no Centro de Convenções de Ouro Preto, Minas Gerais.
Promovido pela Sociedade Brasileira de Fitopatologia (SBFito) e organizado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), o congresso contará, além de palestras e debates, com exposições de centenas de trabalhos científicos. Foram 948 trabalhos inscritos, segundo a comissão organizadora do evento, presidida pelo professor Jose Rogério de Oliveira, chefe de departamento de Fitopatologia da UFV. Dentre os participantes, cerca de 30 pesquisadores ou professores de universidades são de outros países, como Austrália, Estados Unidos, Holanda, Reino Unido e Espanha.
Um dos maiores produtores mundiais de alimentos, o Brasil também de destaca na pesquisa sobre as doenças das plantas. Uma dessas, considerada inédita e de alto impacto na comunidade científica nacional e internacional foi o sequenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, cujo potencial de prejuízo na citricultura é de amplo conhecimento. As informações geradas pela pesquisa permitem que “metodologias de controle sejam desenvolvidas” explica o professor José Rogério.
Os benefícios das pesquisas em fitopatologia vão além da produtividade das lavouras, pois também são desenvolvidas pós colheitas, nos processos de armazenamento da produção, identificando e combatendo os patógenos desta fase da produção agrícola, reduzindo perdas que vão beneficiar produtores e consumidores.
Para o engenheiro agrônomo da Embrapa Algodão, Luiz Gonzaga Chitarra, presidente da SBFito, o Congresso será uma grande oportunidade de interação da comunidade científica. Dentre os temas mais relevantes ele também destaca a importância da pesquisa nos sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta. “Quando o sistema de produção envolve várias atividades, temos muitos problemas com a incidência de doenças e pragas”, explica. Sobre os avanços da pesquisa brasileira, ele diz ser preciso avançar mais, e isso “depende de um esforço conjunto de governos, empresas e universidades”. A busca de parcerias internacionais nesse sentido é um desafio, que já começou a ser enfrentado, em projetos desenvolvidos por algumas universidades e centros de pesquisa brasileiros.
Os benefícios da pesquisa científica para a população podem ser mensurados pela melhoria da qualidade dos alimentos e pela saúde da população. Segundo Chitarra, hoje se trabalha “com o objetivo e reduzir a agressão ao meio ambiente, diminuindo a aplicação de agrotóxicos e promovendo a segurança alimentar”
Outra tema pautado para o Congresso de Fitopatologia são os rumos do controle químico de doenças. Pesquisadores e representantes de empresas vão apresentar as tendências do segmento, dentre eles o uso de produtos alternativos e de manejo de culturas.
Paralelamente ao 46º Congresso de Fitopatologia, acontece a 11ª Brasileira de Controle Biológico, onde será apresentado e discutido um panorama desta área no país.
Veja a programação completa em www.cbfito46.com.br


Jornalista responsável: Aloísio Lopes – 031-9902-1468