segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

MST, 30 anos depois, propõe novo modelo de reforma agrária

Há 30 anos, publiquei minha primeira entrevista em jornal. Tinha o  título "Sem reforma agrária não há democracia" e meu entrevistado foi André Montalvão,  presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultrua de Minas (Fetaemg). Ele tinha ido à minha cidade, Visconde do Rio Branco, zona da mata mineira, para particiupar de uma reunião do recém criado Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Eu, que tinha meu "jornalzinho" ( O Grito), não perdi a oportunidade.
Data deste ano a criação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ( MST), que recolocou na agenda brasileira, a pauta da reforma agrária. De lá pra cá vimos crescer o número de ocupações de terra, com reações violentas do latifúndio. Vimos surgir centenas de assentamentos e milhares de acampados, debaixo de lona. Do outro lado, o avanço do agronegócio, como expressão do capitalismo financeiro e industrial no campo. A "revolução verde" e seus venenos tomaram  conta de quase tudo, a produção agrícola aumentou bastante, as exportações também. Em consonância com esse modelo, os finaciamentos governamentais priorizaram o grande negócio do campo.
Há cerca de três anos escutei de um  amigo miltitante de esquerda, que trabalha no governo federal, que o MST tinha se tornado um  movimento anacrônico. Andei meditado muito sobre isso.
Eis que nesta semana, o MST, que realiza grande congresso em Brasília, anuncia sua nova plataforma para a reforma agrária. Tão importante quanto a desaprapriação e distribuição de terras,  propõem um novo modelo de desenvolvimento para o campo. Um modelo que prioriza a pequena e média propriedade, a organização de empreendimentos rurais cooperativos,  a redução do uso de agrotóxicos, o investimento forte em assistência técnica e na infraestrutura educacinal no campo, inclusive de nível superior. Uma plataforma que vai além dos sem-terra, para envolver toda a sociedade, com o objetivo de democratizar a propriedade, produzir alimentos saudáveis e acessíveis, promover o uso sustentável dos recursos naturais, enfim, de proporcionar desenvolvimento econômico e social para todos. Esta agenda renovada aponta para uma nova revolução no campo, dessa vez policromática e decisiva para o Brasil.

Aloisio Lopes

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