terça-feira, 10 de novembro de 2015

A vida humana, a vida animal e a vida vegetal no Brasil é muito barata

Atualmente, tragédias advindas do rompimento de barragens de rejeito tem se tornado cada vez mais comum. Segundo o IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração – este quadro se deve à ausência de conhecimento dos principais conceitos técnicos sobre a gestão de segurança de barragens de rejeitos nos vários níveis operacionais do empreendimento, além da dificuldade de monitoramento das barragens pelos órgãos fiscalizadores.


Quando se fala da tragédia de Bento Gonçalves, logo se levanta a necessidade de a empresa ressarcir a população local. Mas, tem alguns videos circulando, que mostra um pouco a historia da cidade, com sua produçao artesanal, com a organizaçao da mulheres. É mais do que uma casa, do que os prédios. É toda uma forma de vida, uma comunidade que ao longo dos anos construiu ali sua historia, que não necessariamente é material. Com a tragédia, os vídeos dão uma pequena dimensão do que foi destruido: vidas, moradias, historia, uma comunidade que ali existia. É assim com as construções de barragens pelo Brasil afora: expulsam as comunidades tradicionais e, na melhor das hipóteses, algumas pessoas conseguem casas em outros lugares. E perdem todo o resto. Em prol de uma logica de desenvolvimento que não visa a vida mas o lucro.

Hoje a imprensa divulgou que a Samarco em 2014 teve um lucro de R$ 3,7 bilhões antes de pagar os juros, impostos, depreciação e amortização e um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões. E, que o seguro vai gastar em torno de 70 milhões para ressarcir esta tragédia. Devido a isto, o secretário do governo Pimentel disse que a empresa é vítima. Como? É fácil com estes números mostrar que é melhor correr um risco do rompimento das barragens já que tem um lucro fantástico usando uma tecnologia atrasada, mão de obra barata, terra barata, agua barata, os impostos das mineradoras são muito barato etc etc. Para que investir em algo mínimo como uma SINALIZAÇAO SONORA? Investir em novas tecnologias é então impensável.

 “ Para o engenheiro civil Marcílio Pereira, diretor da empresa Aluvial Engenharia e Meio Ambiente, o problema fundamental é a forma de beneficiamento do minério. “O principal (erro) foi a insistência em uma tecnologia que já era para ter sido substituída há muito tempo. Há formas de fazer o beneficiamento a seco, com separação magnética. E, mesmo no caso de se fazer um tratamento a úmido, com água no beneficiamento, é possível fazer uma disposição drenada do material, o que também traz ganhos em termos de segurança”. ‘

O biólogo Francisco Mourão explicou que fazer o descarte seco é muito mais eficiente, mais seguro e possibilita a recuperação ambiental. “Utilizando a forma seca de produção, você consegue armazenar o material com um risco muito menor”.” http://www.otempo.com.br/cidades/recuperacaolevaradecadas

E, porque isto não se faz? Porque a vida humana, a vida animal, a vida vegetal no Brasil é muito barata. As empresas preferem correr o risco de ter de pagar alguns milhões quando ocorre um desastre, desde que continuem ganhando bilhões de lucro anualmente. E, esta não é a primeira barragem a se romper. Algumas mais recentes: - 2001, em Nova Lima, 5 operários morreram após o rompimento de parte de uma barragem. Ficou para a população local, assoreamento, degradação de cursos hídricos e destruição da mata ciliar. - 2003, barragem de rejeitos industriais em Cataguases se rompeu e despejou cerca de 1,4 bilhão de litros de lixívia negra, contaminando o Rio Paraíba, córregos próximos, matando peixes e outras formas de vida próximo, deixando 600 mil pessoas sem água. - 2007, a barragem de rejeitos da mineradora Rio Pomba Cataguases rompeu e inundou 2 cidades com mais de 2 milhões de litros de lama, desalojando mais de 4.000 pessoas. - 2014, rompe uma barragem de rejeitos em Itabirito. Morreram 3 operários e cinco ficam feridos. Portanto, isto não é novidade.

"Um outro mundo é possível. Um outro Brasil é necessário."

Fonte: Comitê Mineiro do Fórum Social Mundial


Um comentário:

  1. Excelente ponderação. Mas apenas corrigindo, a tragédia foi no distrito de Bento Rodrigues, e não Gonçalves.

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