segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Quem avisa amigo é

Por Kleber Galvêas

Uma família permitia a pescaria ao filho, que trazia peixes para o jantar. Várias vezes os vizinhos alertaram os pais do menino sobre os riscos daquela atividade solitária, em local perigoso. Os pais não deram atenção, e a tragédia aconteceu. De quem é a culpa? É parcial, injusto, consciente e expiatório o que o governo e a mídia vêm fazendo com as grandes empresas. Especialmente o tratamento dado à Vale, principal responsável pela poluição na Grande Vitória.

Durante anos, várias vezes, o governo foi provocado para agir, cumprir a sua obrigação constitucional de fiscalizar, inibir riscos e danos ao nosso ambiente. Em todas as Audiências Públicas (CMV, Ales, Colégio Marista), os representantes do governo (muitas vezes com amparo da Ufes) afirmaram que a empresa cumpria rigorosamente suas exigências: “a empresa está dando resposta à altura do que foi exigido”. Isso tudo está gravado. Muitas matérias jornalísticas veiculadas na nossa mídia parecem copiadas de folders de propaganda da empresa.

Quando o projeto A VALE, A VACA E A PENA, iniciado em 1997, completou 12 anos de provocações, em 2008, já havia ampla consciência pública dos males da poluição atmosférica. Mesmo assim o governador Paulo Hartung aprovou a Usina 8, da Vale, que entrou em operações no final de 2014. Uma gigante que quase dobrou a atividade siderúrgica em Tubarão. A poluição causada pelo estoque e embarque do minério, em Tubarão, é quase desprezível, se comparada à causada pelas chaminés da Vale e ArcelorMittal, ambas ali localizadas.

O governo seduziu as empresas e indicou o lugar para se instalarem; aprovou todos os seus projetos; advogou a seu favor em todas as Audiências Públicas a que compareci, e aceitou suas polpudas doações para campanhas eleitorais. Paulo Hartung, em duas gestões anteriores, nomeou como Secretária do Meio Ambiente a ex-diretora da empresa que havia feito o estudo de impacto ambiental para as poluidoras. Ela reprovaria o próprio trabalho?

Parece que o judiciário acordou, mas olhou para o lado errado (embarque de minério), e pretende levar pessoas para a cadeia. Se for assim, a fila deve ser encabeçada pelos prevaricadores: representantes dos poderes públicos nos três níveis, acompanhados de alguns jornalistas que são tendenciosos ao informar, ou fazem censura prévia. A luta contra a poluição provocada pelas siderúrgicas acumula fracassos há quatro décadas. Assim como as tentativas das empresas em minimizá-la. O minério deve ser beneficiado em sua origem e Tubarão ser apenas um porto bem equipado, para exportar sem prejuízo ambiental. Tudo feito com bom-senso e tolerância das partes envolvidas.

www.galveas.com

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