quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Relator da ONU divulga, em Minas, dados sobre o direito humano à água

Documento aponta que mulheres e meninas são as mais atingidas pela violação desse direito
22 de Novembro de 2016 , 17:11 

No imaginário de uma parcela da população, a violação dos direitos humanos está ligada apenas à tortura e criminalidade. Muitas vezes em discursos permeados de preconceitos e falácias. Mas o debate acerca dos direitos humanos é bem mais básico e emergencial, como no direito humano à água, assegurado a todos, sem discriminação, para uso pessoal e doméstico em quantidade suficiente, segura, aceitável, acessível cultural e economicamente.
A Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) recebeu na noite desta segunda-feira (21), em parceria com a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac) e o Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas), o lançamento do relatório das Organizações das Nações Unidas (ONU), "Igualdade de gênero e direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário - O corpo que entorta pra lata ficar reta", entregue pelo relator especial da ONU e pesquisador da Fiocruz Minas, Léo Heller.
O relatório foi entregue em setembro deste ano para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e segundo o relator especial, seu objetivo foi apurar o olhar para a questão do acesso das mulheres e de outras identidades de gênero à água e ao esgotamento sanitário sob a ótica dos direitos humanos. “O relatório chama a atenção, entre outros pontos, para a constatação de que quando não há acesso adequado à água e ao esgotamento sanitário existe uma desigualdade de gênero. As mulheres são muito mais vitimadas, do que os homens”.
Na maioria das culturas, são as mulheres encarregadas de carregar água, de cuidar do ambiente doméstico, quando não há banheiros ou eles estão distantes das casas, as mulheres são as mais prejudicadas, expostas a violência sexual. “Existe uma parte do relatório dedicada ao ciclo menstrual da mulher e da ausência de instalações adequadas para este ciclo e como isto implica em violações dos direitos básicos de qualquer ser humano”, sintetiza.
Em Minas
Apesar de se tratar de um relatório internacional, resultante de visitas em três países, não é preciso ir longe para encontrar vítimas desse tipo de violação. Vanessa Rosa, convidada para a roda de conversa do lançamento e moradora da comunidade Cabeceira do Turco, localizada em São Sebastião do Sucesso, distrito de Conceição do Mato Dentro, vive na pele a violação do direito básico e constitucional de acesso à água potável. “A implantação do mineroduto de uma grande mineradora devastou com nossas nascentes, até então nossa única fonte de água potável. Assorearam as nascentes de forma totalmente irresponsável. Em 2010, ficamos sem água. Depois de quatro anos, eles começaram a dar dez de água mineral por família. Quer dizer, eu tenho isso para beber, alimentar animais, tomar banho e para todas as minhas atividades diárias”, conta.
Mediando a roda de conversa, o Secretário de Estado de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, reforçou a gravidade da questão. “Até duas décadas atrás, direitos humanos englobavam apenas direitos democráticos, políticos. Com o passar do tempo, mais dois grandes eixos dos direitos humanos foram incorporados, ambiental e da participação. Hoje, portanto, o não acesso à água caracteriza uma grave violação de um direito humano. É preciso reforçar que isso é uma violação, assim como trabalho escravo não é uma questão trabalhista, é uma violação de direitos humanos. Remete a humanidade. É um problema da humanidade”.
A diretora-geral da ESP-MG, Cida Veloso, também presente na atividade, destacou a forte simbologia de mulheres e meninas na beira do rio São Francisco, no Norte Minas. “Sou dessa região e em nosso imaginário sempre são as mulheres à frente da árdua tarefa de buscar água. Esse debate é importante e necessário ainda mais quando falamos de acesso à água como requisito para a manutenção da saúde das populações”, destacou.
Conteúdo
O relatório "Igualdade de gênero e direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário - O corpo que entorta pra lata ficar reto”, completo está disponível no link abaixo. O documento contém 21 páginas e além de contextualizar a questão da igualdade de gênero no direito e nas políticas públicas, entre outros pontos, também apresenta medidas de correções a essas violações.
Clique aqui para acessar o relatório completo.


Fonte: Escola de Saúde Pública MG

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

20 de novembro tem ensaio do Rei-Boi-liço Rosado aberto para a comunidade em Belo Horizonte

Último ensaio realizado em Contagem-MG.

CHAMADA DO BOI ROSADO - ENSAIO DO REI-BOI-LIÇO ROSADO ABERTO A PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE NO CENTRO DE BELO HORIZONTE

Queridas vozes do Boi Rosado, concluída nossa participação no movimento Rejeito - um dia que durou um ano', voltamos agora a trabalhar na preparação do Rei-boi-liço Rosado de Natal que acontecerá este ano em Belo Horizonte e Contagem no mês de dezembro.
O próximo ensaio aberto a comunidade acontecerá no Centro Cultural UFMG, dia 20 de novembro ( domingo ) das 14 às 17 horas. Divulguem e confirmem sua participação. Não esqueçam de levar seus instrumentos de percussão.

Quem quiser saber mais sobre o Boi Rosado: 
http://boirosadoambiental.blogspot.com.br/

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Meio século de um desastre ambiental crescente

Por Kleber Galvêas*

Quando pequenos agricultores do Oregon (EUA) perceberam que minguava a água do riacho que abastecia a região, sem ter como causa a ausência de chuva, eles organizaram caravanas e investigaram o fato. Descobriram que castores estavam construindo uma barragem, em remanso próximo à nascente do riacho, na Cascade Range (Cordilheira das Cascatas). Como se tratava de uma área remota, no vizinho Estado de Washington, esse governo foi informado do problema e do risco que seus vizinhos corriam se a barragem se rompesse. Eles agradeceram o alerta e tomaram providências. Quando a siderurgia, na região dos Grandes Lagos, EUA, se expandiu, produzindo enorme quantidade de SO2 que, combinado com H2O (vapor de água na atmosfera), forma o H2SO4 (ácido sulfúrico), que se precipita com as chuvas (chuva ácida), “queimando” florestas. Foram os vizinhos canadenses que pressionaram, para que o problema fosse resolvido pelos americanos. Barragens são obras de engenharia construídas desde a Antiguidade. A técnica para a construção e consequência em seu rompimento é conhecida há milhares de anos.

Na era dos satélites e informática, com recursos técnicos virtuais baratos e extraordinários, se o governo do ES estivesse atento ao risco que barragens vizinhas oferecem, e “agido de maneira firme, desde o início para cobrar responsabilidade”, a batalha pela vida do Rio Doce não aconteceria. Há um mês, em palestra para 800 alunos do colégio Marista, Grande Vitória, perguntei quantos ali presentes tinham problemas com rinite ou alergia. Quase todos levantaram suas mãos. – “Óóóó...” __ foi um espanto geral.

A preocupação com a qualidade do ar na Grande Vitória se iniciou na década de 70. Se compararmos a poluição de ontem com a de hoje, veremos que era modesto o impacto ambiental naquela época. Entretanto as usinas foram se multiplicando no mesmo lugar: Ponta de Tubarão, Vitória, ES. Sempre alegavam que, se instalada a nova usina, equipamentos mais modernos seriam implantados em todas, e, assim, os níveis de poluição despencariam. Em 2008 o nível de poluição já incomodava bastante e causava enormes prejuízos à população, em bens, serviços, saúde e imagem. Já havia consenso sobre a impropriedade do local para a atividade siderúrgica. Foi quando o governo Paulo Hartung aprovou a construção da gigantesca Usina 8. Ela é quase do tamanho das 7 usinas anteriores somadas. Inaugurada em 2014, o desastre ambiental foi amplificado. Por não se tratar de um acidente, pelo tempo, gravidade, amplitude, sutileza e por alcançar direta e indiscriminadamente a todos, numa população muito maior, considero “a maior tragédia ambiental da história do país” o descaso com a poluição do ar no Espírito Santo.

 *Kleber Galvêas é pintor. galveas.com

terça-feira, 1 de novembro de 2016

[RE]JEITO: O DIA QUE JÁ DURA UM ANO

Programação REJEITO
SEXTA 04 de NOVEMBRO
Praça da Liberdade
• 19h
Ato sonoro.
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• 19h15
Cruzes e Velas,
Músicas de Makely Ka.
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• 19h30
Palestras
— Jesus Rosário Araújo —
Presidente da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais.
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— Maria Teresa Corujo (Teca) —
Movimento pelas Serras e Águas de Minas (MovSAM)
Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela.
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— Denise de Castro Pereira —
Professora da PUC-Minas, Pesquisadora de Conflitos na Mineração.
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— Paulo Rodrigues —
Geólogo do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) e integrante do Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela e do MovSAM.
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— Juliana de Souza Matias —
Diretora Regional da Fetaemg / Polo Rio Doce
e Secretaria Estadual de Juventude da CTB Minas.
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— Ricardo Ferreira Ribeiro —
Doutor em Ciências Sociais em Desenvolvimento,
Agricultura e Sociedade.
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— Avelin Buniacá Kambiwá —
Mulher indígena Kambiwá, socióloga e professora. Representante do Comitê Mineiro de Apoio às Causas Indígenas.
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• 22h
Encerramento.
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SÁBADO 05 de NOVEMBRO
Praça Sete
• 9h
Instalação artística “Vida e Morte de um Rio Sagrado ”Grupo Carte-Í.
• 11h
Performance coletiva: "Grito do Watu" Rio Doce.
Cortejo a partir da Praça Sete com previsão de chegada na Praça da Liberdade às 12h.
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SÁBADO 05 de NOVEMBRO
Praça da Liberdade
• 9h às 22h
Criação, produção, intervenções e instalações.
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•11h
Teatro Infantil "A terra tremeu", do grupo de teatro Pequi (Nanci Alves e Karine Terrinha).
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• 12h às 12h30
Chegada do cortejo "Grito do Watu/Rio Doce".
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• 13h
Distribuição de mudas (Boi Rosado Ambiental).
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• 15h
Cosmovisão Indígena.
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• 16h
Ato sonoro.
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• 16h20
Espetáculo Assembléia Comum.
(Grupo de teatro do Espaço Comum Luiz Estrela).
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• 18h
Boi Caveira.
Irmandade dos atores da Pândega.
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• 19h30
Ato sonoro e Projeções.
Microfone aberto: palavra aberta para poetas, rappers, cidadãos.
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• 21h
Republica da Lama.