terça-feira, 25 de julho de 2017

Audiência debate riscos de barragem de mineradora próxima ao Rio das Velhas


Uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte discutiu nesta terça-feira, dia 25, os riscos da construção de uma barragem de rejeitos de mineração,  no município de Rio Acima, região metropolitana de Belo Horizonte, conforme pretendido pela mineradora Vale.  Apesar da ausência de representantes da empresa, membros do Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela informaram que a barragem pretendida teria capacidade de 600 milhões de metros cúbicos e ocuparia uma área correspondente à mancha urbana da cidade de Ouro Preto.

Minas possui 425 barragens de rejeitos de mineração, sendo 327 na região do chamado Quadrilátero Ferrífero-Aquífero, que abriga o vale do Alto Rio das Velhas, segundo dados de 2013, da Feam, compilados pelo geólogo Paulo Rodrigues, da CDTN. Distante 23 quilômetros da capital, numa localidade chamada Fazenda Velha, a nova barragem da Vale ficaria pouco acima da  Estação de Tratamento de Água Bela Fama, em Nova Lima, onde a Copasa capta  água do Rio das Velhas para atender a cerca de 70% metade da população de Belo Horizonte,  segundo demonstrou o geólogo Paulo Rodrigues.

A denúncia dos ambientalistas é de que a construção da barragem será um grave risco para o abastecimento de água, pois um vazamento qualquer irá direto para o rio das Velhas, onde existe a captação de água da Copasa. Um desastre, como o ocorrido em Mariana, tiraria do mapa a cidade de Rio Acima, que é cortada pelo Rio das Velhas, além de inundar  trechos urbanos de Belo Horizonte, Sabará, dentre outras cidades da região. Do rompimento da barragem em Mariana, ocorrido em setembro de 2015, vazaram 60 milhões de metros cúbicos de lama, um décimo da capacidade da nova barragem que ser quer construir.